terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A religião como necessidade metafísica


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No Humano, demasiado humano, já no primeiro aforismo desse texto, Nietzsche apresenta seu programa de crítica a partir de três perspectivas: a crítica à moral (cunhada na filosofia schopenhauriana), à estética (representada pela arte romântica de tipo wagneriana) e à religião (cristã). O objetivo central do presente trabalho é analisar o terceiro elemento, justamente aquele no qual Nietzsche aplica a sua “filosofia histórica” sobre a religião. Nossa trajetória argumentativa partirá de uma explanação sobre o projeto de crítica à metafísica de Humano, demasiado humano para então demonstrar como Nietzsche entende a metafísica como uma "necessidade" e a própria religião como um tipo de "necessidade metafísica" cujo fundamento é uma má-interpretação da dor (um dos elementos que formam aquilo que ele chama de humano). A aplicação do procedimento histórico-fisiopsicológico levará, assim, à reabilitação das coisas humanas e ao "evangelho" (MA/HH, 107) da inocência, ou seja, ao anúncio de que o alívio da vida seria resultado da compreensão da pura necessidade de todas as coisas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O (Sagrado) numinoso em mim



A convite da minha amiga Rosélia, 
dedico estas letras ao Natal de cada um!

    Certo dia estava preparando minhas aulas sobre o Sagrado. Mas queria que fosse algo muito diferente. Eu queria provocar cada aluno a pensar de uma maneira não trivial esse conceito que esconde muitas possibilidades de interpretação. Um dos autores que eu escolhi para preparar essa aula foi Rudolf Otto. Este autor apresenta o conceito de sagrado a partir de três outros, a saber: Numinoso, Tremendo e Fascinante. Lógico que os alunos a medida em que eu desenvolvia a aula foram ficando inquietos, pois a palavra inicial era muito simples, sagrado, e cada um já sabia para si o que isso significava, mas quando apresentei os três conceitos de Otto, tudo o que parecia tão obvio se transformou numa grande dor de cabeça para eles e eu gostei muito da reação que tiveram.
    A proposta da interação Fraterna de Natal traz o tema: O Numinoso em mim. E não teria momento mais oportuno de contar essa experiência do que agora. Vamos lá então voltar à sala de aula... eu segui os passos pedagógicos para saber o que os alunos já sabiam sobre o tema, explorei o conhecimento deles e percebi que havia ali muitas traduções para a palavra sagrado, mas no geral, disseram ser: Deus, algo da Igreja, família e etc. Eles tentaram de maneira muito significativa me dizer o que sabiam e a partir daí utilizei então os conceitos de Otto para nos "desajudar" a compreender, ou seja a modificar alguns parâmetros e a construir juntos conceitos mais elaborados.
    Primeiro coloquei no quadro a palavra Numinoso e tentaram de muitas formas me dizer o que imaginavam ser, mas nada de conseguirem. Eu lhes disse: ainda bem! Eles angustiados queriam saber o motivo de eu ter gostado de que eles não conseguissem explicar. E foi aí que eu lhes disse que o Numinoso é algo que não pode ser explicado. A primeira intervenção foi: como vamos estudar algo que não pode ser explicado? Eu prontamente respondi que é justamente isso que faríamos durante todo o ano, tentar falar de algo que não cabem palavras para explicar. Mas então como estudar? Como saber? O que colocar na prova? E as inquietações deles foram crescendo cada vez mais.
    Segundo, com a palavra no quadro e as tentativas em vão de querer encontrar significado palpável introduzi as outras para continuar a aula. O Sagrado além de ser numinoso é também Tremendo. Logo me disseram: essa é fácil, significa algo muito grande! Eu disse: quase isso! Mas Tremendo significa que diante de algo que não podemos traduzir em palavras, isso nos assombra de alguma forma, e trememos diante do desconhecido, mas esse tremor não é de medo, mas de temor respeitoso a algo que valorizamos muito e não conseguimos conhecer. Inevitavelmente alguém já lançou a terceira palavra explicando seu significado: Ahhh, então Fascinante é algo que nos encanta? Respondi: Isso mesmo! Estamos quase lá.
    Terceiro, com os sinônimos mais trabalhados chegamos a uma conclusão: O Sagrado que estudamos (naquele momento iríamos estudar durante o ano), seria algo que por mais que eu tivesse palavras eu não poderia explicar, e se eu tentasse explicar não seria compreendido, pois é inefável, por isso quanto mais eu tento, mais eu tremo e temo o Sagrado que me fascina por não se revelar a mim de qualquer forma. Mas a chave principal da reflexão daquela aula foi: eu não posso explicar, nem dizer, mas algo eu posso! Os seus olhos ficaram atentos em busca da resposta... e continuei, no âmbito do sagrado eu posso experimentar. E cada um que experimenta o numinoso em si tem uma concepção dele que por mais que saia dizendo a todos o que sente, jamais conseguirá exprimir em palavras inteligíveis o que experimentou. Por isso não posso julgar a experiência que o outro tem com o Sagrado! É algo muito íntimo de cada pessoa e merece no mínimo respeito.
    Assim, concluo meu relato agradecendo a Rosélia pela oportunidade de relembrar algo tão interessante que passei em sala. E a partir dessa aula de Ensino Religioso os alunos passaram a encarar a matéria com outros olhos e no final do ano fui homenageado com uma caixa personalizada, onde eles demonstraram que aqueles conceitos jamais sairiam de suas vidas, tampouco eles da minha! Um feliz e abençoado natal a todos!



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